DESTINO: LINHA 308 / DESTINATION: LINE 308


O COLETIVO 308 tem como objetivo estimular distintas formas de pensar a Arte, através da produção coletiva e a intervenção nos espaços.

The collective group COLETIVO 308 has like objective to stimulate distinct forms to think about Art, through the
collective production and the intervention in the spaces.


segunda-feira, 28 de abril de 2008

CONCEITUALISMOS DO SUL / SUR








por Alexandre Gomes Vilas Boas *



Três integrantes do Coletivo 308 tiveram o privilégio de acompanhar semana passada o Seminário Internacional Conceitualismos do Sul/Sur realizado no Museu de Arte Contemporânea da Universidade São Paulo e coordenados pela competente Professora e Doutora Cristina Freire.

O importante evento serviu como reflexão e testemunho vivo, já que trouxe alguns dos expoentes da arte conceitual dos anos 60/70, tais como Paulo Bruscky, Clemente Padin, Felipe Ehrenberg, Ana Longoni, Graciela Carnevale entre tantos outros que fizeram e ainda fazem hoje a memória viva do que foi produzido nesse período.
Diversos são os pontos em comum dessas produções, a começar, por tomadas de decisões individuais e coletivas, muitas vezes de tendências conceituais, ou que se aproximavam em algum aspecto, seja por sua crítica social contundente, a efemeridade e precariedade do material ou a poética do processo propriamente dita, que levaram, em inúmeras vezes, artistas ao ativismo e aos conceitualismos.
O seminário serviu para demonstrar que talvez só agora possamos fazer uma recuperação competente e honesta do que foi produzido nos anos 60 e 70 debaixo do nariz das ditaduras que atingiram toda a região da América latina e também, no mesmo período, algumas outras regiões do mundo.
Outra questão levantada, entre tantas propostas nas mesas redondas que se seguiram , foi sobre o embate que se deu entre artista x instituição nos anos de ditadura, e que agora, em uma longa jornada crescente de abertura trouxeram nova tomada de posição: o do papel das instituições na recuperação dos arquivos e documentação do que foi produzido de maneira a possibilitar a construção da memória viva.
Foi bastante gratificante perceber que artistas que outrora adotaram a arte não-objetual, arte postal, poesia visual, happening e outros procedimentos tenham hoje nas instituições o reconhecimento de sua importância. Seja por sua capacidade de resistência e o cuidadoso trabalho que tiveram em manter seus acervos e documentos, aliás, muito do que foi produzido e pensado nesse período só foi preservado graças a eles, como também pelo fato de reposicioná-los em seu lugar na história da arte, que parece ainda hoje querer ignorar a América Latina.
Para os "rebeldes" ou "românticos" da atualidade, como eram chamados os artistas e ativistas da época, o Seminário Conceitualismos do Sul/Sur serviu como um farol em meio à escuridão da arte mercadológica e midiática praticada hoje ou para no mínimo entender, como disse Suely Rolnik no último dia do Seminário, a maneira de "romper o feitiço da imagosfera, criando um foco de resistência, atravessando o trauma e liberando o acesso ao futuro através da ativação das potências".



*Alexandre Gomes Vilas Boas é artista plástico, arte-educador e membro do grupo COLETIVO 308.



Three integrants of the group Coletivo 308 have privilleged to be present at the International Seminary about Conceptualisms from the South/Sur (South America), it was realized at Contemporary Art Museum of The University of São Paulo, that event was coordenated by Cristina Freire, a competent teacher and doctor.
This important event was availed as a vivid reflection and living life testimonial, since it brought some of the 60’s and 70’s Conceptual Art exponents, as like Paulo Bruscky, Clemente Padin, Felipe Ehrenberg, Ana Longoni, Graciela Carnevale, and others who made and actually make yet the vivid memory about what was produced in that period.

There are several common points in such production; in principle, for the individual and collective decisions as they have made; decisions involved by conceptual tendencies for many times, or wich its approached, in some aspect, be it from your contusing social criticism, at the ephemerality and fragility of the art material, or the proper poetics they used in the process, that conduced the artists, in many ocasions, to the activism and conceptualism.

The seminary suited to demonstrate wich maybe only now we can make a competent and honest recovery that was producted at the 60’s and 70’s, “under the nose” of the dictatures wich laid waste all the latin America region and, at the same time, any others regions around the world. Other raised question, among many purposes that made during the round tables that followed, was the clash that happenned between artist against the establishment, during the years of dictatorship, and now, in a long course of openning, it conducts to take one new stand: the role of the institutions in the recovery of archives and documentation wich has producted, so that turning possible the construction of the one living memory.

It was grateful for me to perceive that artists wich formerly embraced the non-objectual art, the mail art, the visual poetry, the happening and others proceedings, today have win your acknouledgement of your importance by the institutions. Whether be for your capacity of resistance and zelous working they had to maintenning your archives and documments, otherwise, plenty of it has producted and thought during that period only was preserved by virtue of them, also like for the fact of they´re being re-allocated in them proprer place in the history of the art, that seems just now want ignore the Latin America.

For the “rebels” or “romantics” of actuallity, that it called the artists and activists of that age, the Seminary Conceptualisms from the South/Sur served like a seamark to guide us across the darkness of this mercadological and midiathic art that’s praticated actually, or, at least, to understand, like Suely Rolnik said, at the last day of Seminary, the manner to “break the witchcraft of the imagosphere, creating a resistance focus, passing over the trauma and setting free the access to the future through activation of the potencies”.

*Alexandre Gomes Vilas Boas is plastic artist, art educator and member of the group COLETIVO 308

6 comentários:

ArteSão Contemporâneo disse...

Ótimo texto!! È a cara "teórica" do coletivo! Parabéns Alê, Marcelo e César por buscarem formação e reflexão; e obrigado por compartilharem os conhecimentos obtidos com todos nós.

Serjão

monique disse...

Gosto muita das coisas que leio e vejo postado por você Alexandre e os outros integrantes do coletivo. São sempre alimento para as discussões em minhas aulas e encontros com pessoas que pensam e fazem arte em Floripa.

Monique Rodi

mary disse...

Parece ser verdade que só agora conseguimos nos aproximar, não sem traumas, dos anos de chumbo da ditadura, cujos efeitos sofremos na carne... a cena e a produção dos anos 60/70 retomada recentemente em exposições, filmes e debates, coloca a resistência da América Latina e de seus artistas, novamente em foco...

Alexandre G.Vilas Boas disse...

Oi Monique! Só posso agradecer por tamanho carinho em nome de todos nós, do coletivo 308.Saiba que ficamos muito felizes em saber que o nosso grupo, apesar de relativamente novo, já tem nos trazido muitas alegrias, retornos e parcerias.O trabalho tem sido árduo em busca de construir uma forma de resistência e de coletividade, tentando não cair em rotinas habituais,mesmices.Queremos muito poder colaborar e ter a sua ajuda.Estamos abertos a novas propostas, parcerias, críticas e amizades.Aproveito para agradecer os trabalhos que você nos enviou para o projeto de arte postal pássaro preto.Vamos trocar experiências?Abraços de todos do coletivo 308 para você e a seu grupo de estudos!

Alexandre G.Vilas Boas disse...

E resistiremos Mary!Não estive "ativo" nesse período, era mais novo, era criança, mas sempre lembro com que medo que algumas coisas na minha casa eram colocadas.E depois, já na adolescência, o estado de torpor que parecia atingir a maioria.Não foi diferente na faculdade... ...agora, realmente acho que as pessoas começam a perceber os fatos!Que bom! Podemos mudar o curso do trem desenfreado!

Alexandre G.Vilas Boas disse...

Valeu muito Serjão!Devo o texto a pessoas como você que sempre incentivaram esse meu lado preguiçoso e medroso(às vezes)!Obrigadão!Parabéns para nós e Vida longa ao coletivo 308!